Como criar carduelis magellanica
Criar carduelis magellanica, é em tudo parecido com criar carduelis cucullata.
Um criador experiente criará facilmente carduelis, desde que tenha em conta as suas necessidades básicas, que variam de espécie para espécie.
Falar-vos-ei mais uma vez unicamente da minha experiência pessoal.
Pois bem, crio carduelis à 15 anos e neste momento, demoro cerca de 3 anos até definir e automatizar um sistema de criação, para cada espécie. É muito importante estudar o comportamento da espécie, os seus hábitos e as suas necessidades para que possamos dar todas as condições necessárias aos reprodutores e crias.
Tal como nos carduelis cucullata a escolha dos casais é sem dúvida o mais importante e devemos controlar todas as variáveis, tais como: o tamanho, intensidade da cor e a perfeição das manchas.
No “cabecita negra” facilmente encontraremos a mancha negra da cabeça irregular borratada e expandida para o peito, o que não é um defeito tão grave mas sim uma característica da espécie. Se queremos ter aves perfeitas, devemos escolher os progenitores com a mancha da cabeça o mais regular possível.
Sem dúvida é muito mais fácil encontrar aves imperfeitas ou de baixa qualidade no mercado do que perfeitas, mas temos de ter em linha de conta que devemos criar bem e não em quantidades industriais. E criar bem é ter qualidade nas aves que estamos a criar. É óbvio que um criador que crie muitas espécies ou dentro da mesma espécie muitas aves, no final não será bom em nenhuma espécie ou tirará muitas aves mas poucas de qualidade.
O importante, para além do colar do macho, é também a intensidade da sua cor. Quer o colar, quer a intensidade da cor e o tamanho dos filhotes dependerá também da fêmea. Assim sendo, as fêmeas deverão ser também de boa qualidade, um tamanho e forma corporal que pretendemos.
Falando agora de mutações, neste momento existem 4 mutações conhecidas dentro dos cabecita negra. São elas a diluído, duplo diluído, topázio e topázio diluido. Na sua maioria, também introduzidas por acasalamentos com lugres (carduelis spinus).
As primeiras mutações que eu tive foram a diluição simples e dupla diluição, nas quais não existem portadores e são muito simples de trabalhar. Destas primeiras mutações que tive, que sem saber eram portadores de topázio, criei também um macho topázio. Este ano adquiri também um casal topázio que irei acasalar com diluídos para somar a mutação.
A mutação topázio tal como nas diluições, não é ligada ao sexo, mas dá origem a portadores, pois é uma característica recessiva.
O meu sistema de criação.
Como referi, o segredo está nos cruzamentos bem ou mal efectuados e na qualidade dos nossos reprodutores. Eu optei por ter qualidade e ter sempre aves que criam dentro dos mesmos níveis de qualidade e sempre com as mesmas características nos filhotes, para que se crie uma imagem de marca.
Normalmente tenho um macho para cada duas fêmeas ou então tenho uma ou duas fêmeas a mais pois os machos só entram em contacto com as fêmeas para acasalar, sendo que a tarefa de criar as crias fica ao encargo das fêmeas.
Utilizei sempre um sistema de criação controlado ao nível da humidade, temperatura e luminosidade artificial. A temperatura ideal para estas aves situa-se entre os 20 e os 30ºC, a humidade entre 40 a 70% e entre 14 a 16 horas de luz, na época de criação.
Uso comida da versele-laga, lugre 1A e todo o tipo de sementes, como base da mistura carduelisnorte magellanica nunca tive qualquer problema devido à falta de qualidade das sementes, desta marca, garante-me uma qualidade constante ao longo do ano, de todas as sementes. O que parecendo que não, é um descanso.
Uso também papa carduelisnorte para aves sem factor vermelho. Consiste numa papa maioritariamente seca, com insectos, sementes e uma mistura de vitaminas.
Num comedouro dentro da gaiola tenho constantemente mineralmix à descrição das aves.
Três semanas antes do inicio da época de criação dou calci-lux, omni-vit e fert-ivit até ao primeiro ovo.
Nunca usei germinado, pois a maior parte dos criadores de topo da Europa não usam, ou só usam caso tenham muito tempo para o preparar. Pois caso contrário em poucos anos perdemos as aves devido à proliferação de fungos.
Assim que as crias têm um mês, começo a dar-lhes energovis new cria da Chemi-vit até os separar da mãe, com 35 dias de vida e continuo a dar-lhes o energovis até aos 40 dias.
Autor: Hugo Sant'ana